quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Por que precisamos de alguém?

(Obs. O problema é que volta e meia me pego fazendo essa pergunta, vc não?!)


Pode acontecer a qualquer hora do dia, de qualquer dia. (Pode até ser agora, ou pode ter sido ontem, outro dia, ou todos os dias!) Numa sexta-feira às 17h20m de uma tarde nublada. (é mais fácil disso acontecer em dias assim em que sol se ausenta e vc nem percebe que a vida lá fora é bonita...se for dia com chuva esquece, a depressão é total!) Você decide que não quer mais fazer o que faz, que precisa trocar de profissão ou trocar de país mas lembra que pra isso precisa de uma grana que não tem, o sonho de repente fica distante mas a angústia segue brutal (aqui surge a febre mental), e então a solução: o telefone. Você liga pra pessoa que mais conhece você, que melhor decifra suas neuroses, e não é sua mãe nem seu psiquiatra: é ele (me pergunto quem é ele? tenho medo da resposta, ou da ausência dela e principalmente do ser). Aquela pessoa a quem você chama intimamente de amor. (amor? acho que preciso rever meu conceito de amor, ou rever quem eu sou, o que penso, o que quero, o que busco...talvez até como e por que me iludo e pra que tudo isso. o que eu penso sobre isso? procuro não pensar porque isso é transgredir é se magoar, tentar entender então me deixa burra. Burra de mim mesma...)

Do outro lado da linha (quando ele te atende ou quando retorna, ou quando simplesmente SABE ou SENTE que vc PRECISA dele), o seu amor ouve pacientemente toda sua narrativa turbulenta e irracional, dá uma risada que não é de deboche e sim de quem já viu/ouviu essa cena duas mil vezes e diz: daqui a pouco eu tô aí e a gente conversa sobre isso. (céus! me belisca se isso realmente existir)

Daqui a pouco passa rápido e ele chega. Você não está mais pensando exatamente aquilo que estava pensando antes. Aquilo evoluiu para um diagnóstico emocional torturante: você não vai mais trocar de emprego nem de país, simplesmente porque descobriu que é uma pessoa instável, maluca e com fraquezas que se revelam no meio de uma tarde nublada, e que sendo assim é melhor ficar onde está. Mas chora. Não vai perder esta oportunidade. (hoje acho que não sei mais chorar, já chorei por qualquer coisa até lágrimas que não deveriam ser minhas, por erros que não cometi, por sonhos que não desfiz, por vias que não vi.)

Seu amor lhe dá um abraço de urso, faz estalar sua terceira e quarta vértebras e fala que bom que você não vai embora, então que tal um cinema pra comemorar? Ao se olhar no espelho você se depara com uma mulher seis anos mais velha e 750ml de lágrimas mais inchada, mas antes que comece a chorar de novo, ele diz: tá linda. Vamos nessa. (não tenho o que dizer aqui, deixa pra lá)

O filme termina e você quer conversar. Mais calma, conta pra ele como é difícil pra você manter suas escolhas, que às vezes você gostaria de experimentar sensações novas mas é complicado abrir mão do conhecido em favor do desconhecido e, olha, juro, dessa vez não é TPM. Então ele diz que também sente isso às vezes, dá um puta beijo nela e, olhando bem no seu olho, diz: é TPM, sim, mas não tem importância.

Amor não é mais do que isso.
(essa parte eu grifei porque achei especial, talvez... e só)

Desculpe-me intrometer no texto da Martha Medeiros, mas sabe quando vc lê algo e precisa interferir, gritar, tentar se fazer ouvir por alguém porque aquela ideia ali expressa não é bem aquilo (talvez não pra vc e sua realidade)...E como vi isso em um livro que não era meu, onde eu definitivamente não poderia fazer minhas anotações resolvi falar isso aqui.

Talvez a dor fique menor e eu entenda a sutil diferença entre o eu e o nós.
Talvez eu veja que ser honesto não é uma questão de ponto de vista, isso deveria estar intrínseco em todos (tolos) nós (eu).
Talvez o melhor seria parar e conversar, mas quem disse que isso é possível?
Talvez eu devesse me ouvir, ou não, simplesmente abafar a voz do coração.
Talvez realmente a vontade louca de mudar tudo devesse acontecer.
Talvez eu consiga ser eu sem você.
Com certeza você consegue ser sem mim porque é isso que eu vejo em suas atitudes.
Talvez a minha curiosidade ainda me mate, mas sabe aquela história que diz que confiança quando se perde é triste porque não tem mais como deixar afastada a sensação de sempre estar sendo passada pra trás?

Pois é...tanto que se assim fosse não deixaria o talvez ser frequente teria certeza.

Acho que sei de algumas coisas.
Acho difícil ver uma mudança aqui.
Acho ainda que essa não é a palavra real.

Veja bem, talvez fique melhor em vez de acho o eu sei...

Eu sei que pensar sobre tudo tem sido complicado.
Eu sei que o amor muda, aceita, transforma, vence tudo.
Eu sei que a vida pode ser dura quando realmente perdemos a quem amamos e não nos damos conta disso.
Eu sei que sonhos podem ser desfeitos em questões de segundos.
Eu sei que olhar as coisas do outro não é certo.

Mas o que é certo ou errado nessa relação que eu nem sei dizer se existe de fato?

Novamente, é subjetivo.

Talvez devesse ser certo.

No final continua assim: o talvez tomando conta do achismo da minha mente, enquanto o coração sabe que talvez seja só uma questão de tempo pra tudo ficar certo.

(ou não)
(veja bem...depende tudo da maneira com que se vê...se é que vc ainda quer ver alguma coisa)

E só.


terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Simples assim...



"Tem hora que é imprescindível chutar o balde.



 

Tem hora que é fundamental deixar a verdade nua e crua vir à tona. 

Tem hora que você precisa dizer para sua namorada: eu te adoro, mas quero ficar sozinho hoje à noite, qual é o problema? 

O problema é que ela passa a te odiar. (eu sempre odeio!)

E você passa a achar que não tem vocação pra ser legal o tempo inteiro. 

E é verdade. Ninguém tem. É cansativo. Desgastante. Já somos legais à beça por tentar. 

Tem gente que nem isso."

Martha Medeiros


Como sempre ela sabe o que dizer, até mesmo quando é a voz do outro que precisa sair.

Mas eu vejo que no fundo sou eu que preciso chutar o balde...

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Ler Devia Ser Proibido


A pensar fundo na questão, eu diria que ler devia ser proibido.
Afinal de contas, ler faz muito mal às pessoas: acorda os homens para realidades impossíveis, tornando-os incapazes de suportar o mundo insosso e ordinário em que vivem. A leitura induz à loucura, desloca o homem do humilde lugar que lhe fora destinado no corpo social. Não me deixam mentir os exemplos de Dom Quixote e Madame Bovary. O primeiro, coitado, de tanto ler aventuras de cavalheiros que jamais existiram meteu-se pelo mundo afora, a crer-se capaz de reformar o mundo, quilha de ossos que mal sustinha a si e ao pobre Rocinante. Quanto à pobre Emma Bovary, tomou-se esposa inútil para fofocas e bordados, perdendo-se em delírios sobre bailes e amores cortesãos.
Ler realmente não faz bem. A criança que lê pode se tornar um adulto perigoso, inconformado com os problemas do mundo, induzido a crer que tudo pode ser de outra forma. Afinal de contas, a leitura desenvolve um poder incontrolável. Liberta o homem excessivamente. Sem a leitura, ele morreria feliz, ignorante dos grilhões que o encerram. Sem a leitura, ainda, estaria mais afeito à realidade quotidiana, se dedicaria ao trabalho com afinco, sem procurar enriquecê-la com cabriolas da imaginação.
Sem ler, o homem jamais saberia a extensão do prazer. Não experimentaria nunca o sumo Bem de Aristóteles: o conhecer. Mas para que conhecer se, na maior parte dos casos, o que necessita é apenas executar ordens? Se o que deve, enfim, é fazer o que dele esperam e nada mais?
Ler pode provocar o inesperado. Pode fazer com que o homem crie atalhos para caminhos que devem, necessariamente, ser longos. Ler pode gerar a invenção. Pode estimular a imaginação de forma a levar o ser humano além do que lhe é devido.
Além disso, os livros estimulam o sonho, a imaginação, a fantasia. Nos transportam a paraísos misteriosos, nos fazem enxergar unicórnios azuis e palácios de cristal. Nos fazem acreditar que a vida é mais do que um punhado de pó em movimento. Que há algo a descobrir. Há horizontes para além das montanhas, há estrelas por trás das nuvens. Estrelas jamais percebidas. É preciso desconfiar desse pendor para o absurdo que nos impede de aceitar nossas realidades cruas.
Não, não dêem mais livros às escolas. Pais, não leiam para os seus filhos, pode levá-los a desenvolver esse gosto pela aventura e pela descoberta que fez do homem um animal diferente. Antes estivesse ainda a passear de quatro patas, sem noção de progresso e civilização, mas tampouco sem conhecer guerras, destruição, violência. Professores, não contem histórias, pode estimular uma curiosidade indesejável em seres que a vida destinou para a repetição e para o trabalho duro.
Ler pode ser um problema, pode gerar seres humanos conscientes demais dos seus direitos políticos em um mundo administrado, onde ser livre não passa de uma ficção sem nenhuma verosimilhança. Seria impossível controlar e organizar a sociedade se todos os seres humanos soubessem o que desejam. Se todos se pusessem a articular bem suas demandas, a fincar sua posição no mundo, a fazer dos discursos os instrumentos de conquista de sua liberdade.
O mundo já vai por um bom caminho. Cada vez mais as pessoas lêem por razões utilitárias: para compreender formulários, contratos, bulas de remédio, projetos, manuais etc. Observem as filas, um dos pequenos cancros da civilização contemporânea. Bastaria um livro para que todos se vissem magicamente transportados para outras dimensões, menos incômodas. E esse o tapete mágico, o pó de pirlimpimpim, a máquina do tempo. Para o homem que lê, não há fronteiras, não há cortes, prisões tampouco. O que é mais subversivo do que a leitura?
É preciso compreender que ler para se enriquecer culturalmente ou para se divertir deve ser um privilégio concedido apenas a alguns, jamais àqueles que desenvolvem trabalhos práticos ou manuais. Seja em filas, em metros, ou no silêncio da alcova. Ler deve ser coisa rara, não para qualquer um.
Afinal de contas, a leitura é um poder, e o poder é para poucos.
Para obedecer não é preciso enxergar, o silêncio é a linguagem da submissão. Para executar ordens, a palavra é inútil.
Além disso, a leitura promove a comunicação de dores e alegrias, tantos outros sentimentos. A leitura é obscena. Expõe o íntimo, torna coletivo o individual e público, o secreto, o próprio. A leitura ameaça os indivíduos, porque os faz identificar sua história a outras histórias. Torna-os capazes de compreender e aceitar o mundo do Outro. Sim, a leitura devia ser proibida.

Ler pode tornar o homem perigosamente humano.

Por Guiomar de Grammon

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

O Amor nos tempos de Cazuza

Por Felipe Pena

Cazuza queria a sorte de um amor tranquilo, com sabor de fruta mordida. Renato Russo citava Camões e o fogo ardia aos olhos do público, nítido, visível, contrariando o poeta português. Nada tão diferente, nada tão parecido. Porque assim é se lhe parece, concluiria Pirandello, na frase que já virou clichê.

Minha amiga Berenice também ouviu/leu todos esses caras, influenciada pelo pai, um tal de Racine. Mas, nos últimos dias, anda desiludida com os escritores. Acha que são seres que não aparentam ter amado e, portanto, estariam incapacitados para falar de amor.

Ah, Berenice! Leia Pirandello novamente. De que aparências você está falando? Sua mãe não lhe ensinou que a boneca Emília era real? E seu pai não falou sobre o Titus? É o imaginário que constitui a realidade do escritor, não o seu cotidiano. Esqueça as biografias, os relatos jornalísticos e todas as narrativas com pretensão de verdade. O que você procura está em outro lugar.

E o que é o amor, Berenice? Pergunta difícil, eu sei. Freud tentou responder, Jung também, Lacan idem. E toda uma estirpe de supostos cientistas da alma. Mas quem se importa com eles? Olhe pra você, que tanto critica as aparências. O que lhe parece? Diz aí, Berenice!

O beijo de parede, a pele quente, o perfume no suor, o cabelo puxado até o dorso? É isso o amor, Berenice? Então, o que é? A umidade, os planos, as palavras, o cubo mágico, a cumplicidade? É isso? 

Uma caminhada pelo Pére Lachaise, a Carmen de Bizet, o chope do Jobi? Ou a noturna de Chopin? Os diálogos do Woody Allen, o Jim Morrison improvisando em The end, o último parágrafo de Cem anos de Solidão, a tapioca da baiana no Nativo, os jardins do Museu Rodin, o Tom Jobim sussurrando a canção que eu fiz pra te esquecer, a rede social em que trocamos segredos, teus olhos virando a página de um manuscrito? O que mais pode ser, Berenice?

Você não é uma discípula de Parmênides ou de São Tomé. Não que ver para crer. Não quer o real estereotipado. Seus amores invertem o axioma: as aparências desenganam, pois é a fantasia que move o desejo, que passa o creme no corpo, que usa o espartilho.

A mesma fantasia inscrita no livro que ele autografou. Aquele, lembra? A leitura na cama, cortando as frases, fazendo anotações nas bordas. A leitura nas entrelinhas, na margem, no rosto. A leitura em movimento. E uma Berenice trêmula, ofegante, urgente, roendo as unhas da mão esquerda e lembrando de tudo que, naquele momento, lhe parecia amor.

O amor na varanda, de madrugada, com o som alto e os vizinhos ruborizados. O amor no sofá. O amor de conchinha. O amor plural, embora singular no endereço. O amor de quem troca os pronomes e escreve uma crônica pra você. O amor de um escritor, para quem nada é o que parece, e cujas frases saem tortas e embargadas pela tua ausência.

Nosso amigo Agenor de Miranda Araújo Neto, o Cazju, transformava o tédio em melodia. E aí estava uma boa definição. O amor, Berenice, somos nós, na batida, no embalo da rede. Matando a sede na saliva.

E tudo mais que houver nessa vida.




Como sempre me surpreendo com a maneira com que Felipe Pena escreve, o texto é de um excelente bom gosto. Uma delícia...quase dá para sentir cada coisa que ele diz a Berenice ao explicar o amor..


No fundo, sejo que o amor não carece de explicação, ele se autoexplica. 

É tudo ao mesmo tempo!

Ah....o amor!



• Felipe pena é jornalista, escritor, psicólogo, doutor em Literatura pela PUC, com pós-doutorado pela Sorbonne III, e professor da UFF. É autor de 11 livros, entre eles o romance “O verso do cartão de embarque.”

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Eu confesso!


Quando eu escrevi esse texto hoje de manhã antes de poder postá-lo aqui, me deparei com essa imagem: um lindo casal nu. E não foi só ela que me despertou o sentido, mas sim o texto que estava junto:

"Ninguém (seja homem ou mulher) é bonito fisicamente, esbelto, bom de cama, e jovem para toda vida...a velhice vem para todos e com ela a solidão para os que pensam dessa forma! Quem ama não enxerga os defeitos que o tempo trás...mas aprende a transformá-los em motivos para amar ainda mais!"

Não consigo descrever o efeito que conjunto da obra fez em mim, fiquei quieta. Pensei se valeria a pena me expor (deixar a explosão de sentimentos sair de mim) e permitir que meus sentidos ganhassem vida. Mas acredito que por esse lindo casal, eu devo sim! 

Eu preciso tirar de mim isso, o peso da dúvida, do descaso ou até mesmo das minhas hipóteses e interpretações...

Tudo começou assim...

Eu confesso: não sei mais o que fazer para chamar sua atenção.
Já mudei, investi em mim. Desde que nos conhecemos me sinto como a lagarta que virou borboleta. De menina passei a mulher (e confesso, foi doloroso o processo).
Mudei meus hábitos e sonhos...veja agora estou maquiada, bem vestida, de salto alto e (quase) confiante.
O quase se encaixa bem aqui e talvez ele me mostre o que falta. 
Por diversas vezes vi em livros de autoajuda falando que as mulheres inteligentes e confiantes podem ter tudo (e todos) aos seus pés. E eu me sinto assim...até o momento de nos encontrarmos porque ali de fato, eu tremo. Espero às vezes um elogio que não vem, ou talvez eu que não saiba interpretar o universo masculino. Afinal, voz grossa e mão pesada, muita testosterona e sutileza de elefante deve servir pra alguma coisa, ou eu realmente estou precisando de análise e quem sabe até ir mesmo em um oftalmologista. 
Que coisa! e aí toda a confiança que você tinha vai embora, e a sensação é igual a se olhar no espelho e não ter reflexo algum ali. 
De repente você acha que o problema é o outro (eu).
Não sei... ele realmente tem o dom de te levar ao céu e ao inferno, em fração de segundos e por motivos diferentes.
E nem adianta usar o argumento de que para as mulheres nada está bom ou que tudo nelas é regido pelo humor e quem sabe até os anéis de saturno na casa de vênus, marte ou sei lá qualquer expressão dessas de astrologia. 
Porque o que faz diferença mesmo é sentir no olhar o desejo e não só o carinho do companheiro. É saber que mesmo sem tempo e tampouco situação, no meio da madrugada alguém pode vir te procurar...tocar!
Acho que o grande vilão da história não é mais a rotina ou o tempo, e sim, a falta do toque. 
Seja ele qual for, e principalmente, aonde for. 
Na alma, no ego, na mente, na amizade e principalmente na intimidade. 
Não queremos sempre as preliminares, queremos tudo e nada ao mesmo tempo não importa a ordem...
O fundamental mesmo é nos sentirmos desejadas.

E tenho dito!

Casa arrumada é assim...





"Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa entrada de luz.

Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um cenário de novela.
Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os móveis, afofando as almofadas...
Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo: Aqui tem vida...
Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras e os enfeites brincam de trocar de lugar.
Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha.
Sofá sem mancha? Tapete sem fio puxado? Mesa sem marca de copo? Tá na cara que é casa sem festa. E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.
Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde. Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante, passaporte e vela de aniversário, tudo junto...
Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda. A que está sempre pronta pros amigos, filhos, netos, pros vizinhos...
E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca ou namora a qualquer hora do dia. Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente.
Arrume a sua casa todos os dias... Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela...
E reconhecer nela o seu lugar."

Isso só pode mesmo ser coisa do Carlos Drummond de Andrade....

Além de achar perfeito o texto, acabo de descobrir (grande fã que eu sou) que ele faleceu no ano em que nasci. Mas enfim, a questão não é o ano, nem a admiração e sim o fato de uma verdadeira casa ser caracterizada dessa maneira...

Gosto mesmo da minha (pseudo) casa quando ela está com o chão limpo e todo o resto um pouco organizado porque na sala sem chances, ainda tem caixa da última mudança que ensaiamos e a escrivaninha com milhares de papéis e livros de estudo do namorado. E no cantinho, escondida em uma mesinha velha uma máquina de escrever e um aquário desocupado. E para fechar o paninho do Mike, aquele sujinho mesmo que ele insiste em ficar nas suas horas de sono da beleza.

Na cozinha por mais que seja arrumadinha, sempre tem alguma coisa pra atrapalhar. Um fogão meio feio, mais velho ou mesma idade que eu, não tem jeito volta e meia cai uma boca.

No corredor os quadros empoeirados, uma pata aqui outra ali de um labrador brincalhão...

O quarto da bagunça porque afinal como eu posso me trocar e me arrumar sem deixar várias blusas espalhadas e os sapatos todos "jogados"?

É assim... pra finalizar no meu quarto, vários livros na estante, na mesinha do computador, na penteadeira os perfumes, necessaires e todo o resto.

E desse jeito eu sei que estou ali, mesmo não estando as 24horas...

Quase tendo uma sensação de minha casa mesmo, um lar, um refúgio!




Além disso tudo, dos livros, do cão e da bagunça, o que torna o lugar mais divertido são os passarinhos e as flores, isso sim traz vida!

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Omnia Vincit Amor

Será mesmo?!

Quem me dera ao menos uma vez
Ter de volta todo o ouro que entreguei a quem
Conseguiu me convencer que era prova de amizade
Se alguém levasse embora até o que eu não tinha.
Quem me dera ao menos uma vez
Esquecer que acreditei que era por brincadeira
Que se cortava sempre um pano-de-chão
De linho nobre e pura seda.
Quem me dera ao menos uma vez
Explicar o que ninguém consegue entender
Que o que aconteceu ainda está por vir
E o futuro não é mais como era antigamente.
Quem me dera ao menos uma vez
Provar que quem tem mais do que precisa ter
Quase sempre se convence que não tem o bastante
Fala demais por não ter nada a dizer.
Quem me dera ao menos uma vez
Que o mais simples fosse visto
Como o mais importante
Mas nos deram espelhos e vimos um mundo doente.
Quem me dera ao menos uma vez
Entender como um só Deus ao mesmo tempo é três
E esse mesmo Deus foi morto por vocês
Sua maldade, então, deixaram Deus tão triste.
Eu quis o perigo e até sangrei sozinho
Entenda
Assim pude trazer você de volta pra mim
Quando descobri que é sempre só você
Que me entende do iní­cio ao fim.
E é só você que tem a cura pro meu vício
De insistir nessa saudade que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi.
Quem me dera ao menos uma vez
Acreditar por um instante em tudo que existe
E acreditar que o mundo é perfeito
E que todas as pessoas são felizes.
Quem me dera ao menos uma vez
Fazer com que o mundo saiba que seu nome
Está em tudo e mesmo assim
Ninguém lhe diz ao menos, obrigado.
Quem me dera ao menos uma vez
Como a mais bela tribo
Dos mais belos índios
Não ser atacado por ser inocente.
Eu quis o perigo e até sangrei sozinho
Entenda
Assim pude trazer você de volta pra mim
Quando descobri que é sempre só você
Que me entende do início ao fim.
E é só você que tem a cura pro meu vício
De insistir nessa saudade que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi.
Nos deram espelhos e vimos um mundo doente
Tentei chorar e não consegui.
(ìndios, Legião Urbana!)