quinta-feira, 8 de outubro de 2009

A promessa cumprida


Já começo dizendo que o título não casa muito bem com a história, mas penso que é interessante também. Hoje falo de amizade. Amizade querendo me referir a quem está longe dos olhos, mas perto do coração. Algo mesmo para selar a amizade. Enfim, estou aqui. Uma coisa gostosa que vejo na amizade é justamente a lealdade. Uma coisa eu digo, e quem é meu amigo sabe, tenho meus momentos de estar junto e outros de estar afastada. E isso não quer dizer que não me importo, ou me preocupe com quem me aquece o coração. Muito pelo contrário, comprovo para mim mesma que amo e preciso dos meus amigos, mas também preciso sentir essa necessidade de tê-los perto e longe. Fica a certeza de que vou me aproximar novamente, quando outros talvez se afastem para sempre. Hoje provo uma teoria: minhas amizades são iguais a passos de dança - um movimento é de aproximação e outro é de afastamento. Mas o ritmo que possuem é tão gostoso e envolvente que não me cansa dançar esta mesma melodia, e isso justamente me fortalece o espírito e me renova. Digo isso tudo, porque hoje é o aniversário de uma amiga muito querida. Que sim, estou um pouco afastada, mas não me esqueço dela. Este post é para ela, e claro, os outros amigos não se enciúmem, pois são todos tão necessários quanto ela.

Obrigada por estar comigo (mesmo que em pensamento ou de forma "virtual").

:: Quantas Mentiras contaram ::

Quantas mentiras nos contaram; foram tantas, que a gente bem cedo começa a acreditar e, ainda por cima, a se achar culpada por ser incompetente e sem condições de fazer da vida uma sucessão de vitórias e felicidades.
Uma das mentiras:
É a que nós, mulheres, podemos conciliar perfeitamente as funções de mãe, esposa, companheira e amante, e ainda por cima ter uma carreira profissional brilhante.

É muito simples: não podemos.
Não podemos; quando você se dedica de corpo e alma a seu filho recém-nascido, que na hora certa de mamar dorme, e que à noite, quando devia estar dormindo, chora com fome, não consegue estar bem sexy quando o marido chega, para cumprir um dos papéis considerados obrigatórios na trajetória de uma mulher moderna: a de amante.
Aliás, nem a de companheira; quem vai conseguir trocar uma idéia sobre a poluição da Baía de Guanabara se saiu do trabalho e passou no supermercado rapidinho para comprar uma massa e um molho já pronto para resolver o jantar, e ainda por cima está deprimida porque não teve tempo de fazer uma escova?
Mas as revistas femininas estão aí, querendo convencer as mulheres - e os maridos - de que um peixinho com ervas no forno com uma batatinha cozida al dente, acompanhado por uma salada e um vinhozinho branco é facílimo de fazer - sem esquecer as flores e as velas acesas, claro, e com isso o casamento continuar tendo aquele toque de glamour fun-da-men-tal para que dure por muitos emuitos anos.
- Ah, quanta mentira!
Outra grande, diz respeito à mulher que trabalha; não à que faz de conta que trabalha, mas à que trabalha mesmo.
No começo, ela até tenta se vestir no capricho, usar sapato de salto e estar sempre maquiada; mas cedo se vão as ilusões. Entre em qualquer local de trabalho pelas 4 da tarde e vai ver um bando de mulheres maltratadas, com o cabelo horrendo, a cara lavada, e sem um pingo do glamour - aquele - das executivas da Madison.
Dizem que o trabalho enobrece, o que pode até ser verdade.
Mas ele também envelhece, destrói e enruga a pele, e quando se percebe a guerra já está perdida.
Não adianta: uma mulher glamourosa e pronta a fazer todos os charmes - aqueles que enlouquecem os homens - precisa, fundamentalmente, de duas coisas: tempo e dinheiro.
Tempo para hidratar os cabelos, lembrar de tomar seus 37 radicais livres, tempo para ir à hidroginástica, para ter uma massagista tailandesa e um acupunturista que a relaxe; tempo para fazer musculação, alongamento, comprar uma sandália nova para o verão, fazer as unhas, depilação; e dinheiro para tudo isso e ainda para pagar uma excelente empregada - o que também custa dinheiro.
É muito interessante a imagem da mulher que depois do expediente vai ao toalete - um toalete cuja luz é insuportavelmente branca e fria, retoca a maquiagem, coloca os brincos, põe a meia preta que está na bolsa desde de manhã e vai, alegremente, para uma happy hour..
Aliás, se as empresas trocassem a iluminação de seus elevadores e de seus banheiros por lâmpadas âmbar, os índices de produtividade iriam ao infinito; não há auto-estima feminina que resista quando elas se olham nos espelhos desses recintos.
Felizes são as mulheres que têm cinco minutos - só cinco - para decidir a roupa que vão usar no trabalho; na luta contra o relógio o uniforme termina sendo preto ou bege, para que tudo combine sem que um só minuto seja perdido.
Mas tem as outras, com filhos já crescidos: essas, quando chegam em casa, têm que conversar com as crianças, perguntar como foi o dia na escola, procurar entender por que elas estão agressivas, por que o rendimento escolar está baixo.
E ainda tem as outras que, com ou sem filhos, ainda têm um namorado que apronta, e sem o qual elas acham que não conseguem viver. Segundo um conhecedor da alma humana, só existem três coisas sem as quais não se pode viver: ar, água e pão.
Convenhamos que é difícil ser uma mulher de verdade. Impossível, eu diria.
Parabéns para quem consegue fingir tudo isso.

Danuza Leão

*Este texto me faz pensar o quanto é tamanha a responsabilidade e a cobrança que se criou em cima do papel da mulher. E cada vez isso é maior. SE não é cobrado pelos outros, a própria mulher se cobra. Vira um vício e uma infelicidade. Porque se você não consegue ser tudo isso, você não se reconhece como alguém. Complicado...por isso é fato: não imponha a você algo que sabe que não vai conseguir ser. Um conselho: desdobre o impossível em pequenas porções de coisas possíveis, e você vai ver aonde consegue chegar.

E se vai longe assim. Sim, se vai.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Palavras que já foram ditas


Engraçado, estava organizando minha caixa de entrada e acabei indo parar nos rascunhos. Descobri ali um email muito interessante, palavras doces que já disse a alguém...não sei exatamente para quem, não deixei salvo o destinatário e sim só a mensagem. Gostei tanto que em meio a isso tudo vou compartilhar com vocês, mas penso que o mais importante disso é a sinceridade em assumir sentimentos e não propriamente o que escrevi. Muitas vezes temos sido acometidos da sindrome de ostra: ficamos cada vez mais reservados, presos em nossas emoções e não conseguimos dizer o que verdadeiramente sentimos a quem amamos (em qualquer sentido do amor). Claro participamos de comunidades e redes sociais cada vez maiores, gostamos de expor nossas vidas, mostrar nossas afinidades, momentos especiais com fotos, as coisas que discordamos e por aí vai...Mas quando se trata de expor os sentimentos é impressionamente a barreira que é criada. Portanto fica aí o incentivo, vamos dizer o que sentimos, porque guardar qualquer tipo de sentimento é perigoso em todos os sentidos.


"Ontem estava sem saber o que falar....e ohje vc me deu coragem pra continuar!!! Me sinto feliz, mesmo sem saber como tudo vai acabar e fico ansiosa pra te ver também. Mesmo q isso signifique minutos de conversa ou até mesmo aquele silêncio que conhecemos tanto, que evidencia o quanto nos desejamos e todo o respeito e admiração que nos paralisa quando diz respeito ao que sentimos. Fico um pouco preocupada quando você diz que precisa me dar o melhor para eu me sentir bem....vc sempre é atencioso me deixa sempre sem saber como agir. E acaba abrindo a porta pra eu entrar no que vc quer ou gostaria, e não me censura e a gente ri e se precisa tanto as vzs que ficar só em palavras, é o q nos causa ansiedade e tremor. Queria te falar tantas coisas que não sei se são boas serem ditas agora, são palavras que querem ir ao seu encontro e me incomodam as vzs....mas permaneço feliz em saber que em breve toda essa inquietude acabará. Ah, hoje só queria um abraço seu e ficar ali, bem pertinho de ti e rir comigo mesma por saber q o tempo brinca conosco sempre e nos zomba...mas ele é preciso e não nos engana. Posso te dizer com certeza hoje a unica coisa que quero , e quero mto, é reter cada momento que tenho contigo...pq quando vc se ausentar eu sei q certamente vou lhe ter por inteiro. Até parece uma declaração de amor isso, mas sabe considero-a um desabafo de alguém que lhe quer mto....Não sei, são coisas que tenho tentado entender não por ocupação de tempo, mas para preenchimento de alma e principalmente para sanar a sua falta ao meu coração.... Ah!!!! nem quero te falar mais nada, creio que o que ontem calei, hoje vc me despertou para falar =] q tudo seja bom não é?! Até parece que estou me despedindo agora. Que bom que amanhã é quarta e posso te ter mais uma vez para depois me perder na sua ausencia e saber se realmente preciso de ti ou não, e vice-versa!!!


saudades sua!!!



e estou bem não se preocupe....q sua noite seja doce!!!"





quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Nova Temporada Tabuleiro da Alma


Para os amantes desse jogo, TAbuLeiRo da ALMA, divido um momento importante, a nossa volta. Sim, o tabuleiro ficou imóvel, quietinho. Mas eu estive aqui todos os momentos. Passamos pelo seu aniversário e nem comemoramos esta vitória que é ter o jogo sempre em andamento.

Fiquei pensando outro dia porque eu preciso tanto daqui, e percebi que ao jogar com as palavras, situações e inquietudes que envolvem minha alma e o mundo em si, consigo pensar melhor, desenvolvo sentimentos e sensações agradáveis. Penso principalemnte que é interessante isso porque vocês também jogam e arquitetam também as jogadas, não só com os comentários em si, mas as visitas principalmente. Afinal se um jogo não é bom, ninguém volta a jogar. Esse período que passou aprendi coisas interessantes, pensei coisas que não conhecia muito, me deparei com situações que não julgava normais. E nisso tudo, vi que se assemelhou muito com a "história" de um tabuleiro, que traz consigo muitas histórias de vitórias e derrotas, que se modifica conforme o jogador. POr isso nessa nova "temporada" penso que também é interessante vocês sugerirem suas jogadas, falarem sobre o que gostariam de ver aqui. Sei que muitos estão só de passagem, mas sei também que têm aqueles que são frequentadores assíduos, e até brigaram porque estivemos em greve. Fica aí a sugestão, claro. Espero realmente que as novas jogadas sejam as melhores, principalmente que provoquem nossas habilidades e nos façam crescer. É isso que espero, e quero profundamente.

E que comecem os jogos.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Por falta de tempo e até mesmo inspiração, este blog vai ficar mais alguns dias sem novos posts.
Estou de greve. Seja lá o que eu queira dizer com isso, mas creio que no fundo é para chamar atenção para eu mesma. Quem sabe tirar férias de mim, e repensar algumas coisas. Prometo trazer mudanças.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

13

Esta era a senha. 13. A mulher olhou meu número, e disse: ai que azar! Comigo, pensei, que talvez me desse alguma sorte. Ali haviam umas vinte pessoas e um sol escaldante. Chegaram as mulheres de branco com suas pranchetinhas, e ficamos aguardando o cadastro ser feito. Perguntaram: quem é a primeira vez? Umas cinco pessoas, contando comigo. Coragem era a palavra de ordem que estava em meus pensamentos, estava em dúvida, pensando... será mesmo que vou ter tanta coragem? Ainda tinha tempo para desistir. Fiquei esperando encostada no corrimão da escada, em pé, não quis sentar. Meu coração batia acelerado. Ao meu lado chegou um homem, grisalho, bem apessoado. Começou a dizer que já não a sua primeira vez, e que não tinha problemas com isso, e fez algumas brincadeiras em relação ao tamanho da coisa. Estava começando me assustar, quando ele me perguntou, se era a minha primeira vez. Assenti com a cabeça. Ele ficou envergonhado. Pediu desculpas. Das duas pessoas que estavam cadastrando, escolhi mentalmente a que eu queria que me atendesse, ela me pareceu mais simpática. Mas como sempre o que acontece é contrário aos meus desejos, fui atendida pela outra senhora. Respondi as informações que ela pediu, e depois fui preencher o questionário. 46 questões: sim ou não. Acredito que respondi mais não do que sim. Verdadeiramente era uma excelente candidata para este ato. Terminei, entreguei a prancheta, peguei meu papel e fui lá para a unidade móvel. Esperei ser chamada. Natália. É sou eu, fui até a enfermeira. Me deu um termometro, mediu minha pressão e quando eu menos esperei ela me furou. Quando pensei na dor que sentiria, já havia acabado. Que alívio! Mas ela apertou meu dedo. Meu sangue pingou em um vidro. Foi analisado. E o meu medo de ser anemica e não poder ir até o final. A moça me olhou, disse que estava tudo certo e me mandou falar com o médico. Lá eu ser encaminhada para outra porta. Respondi as perguntas, passei novamente. Era para aguardar lá fora que depois me chamariam novamente. Fique apreensiva, para me distrair fiquei observando as pessoas que passavam por ali. De repente: Natália. Era eu. Então fui, subi as escadas e me encaminhei para a cadeira. Decidi não olhar para o meu braço, se não desistiria, e como já havia chegado até ali, fui firme. Respirei fundo, fiquei olhando para a avenida, e o elástico foi posto no meu braço. Naquele momento tive certeza porque nunca iria usar drogas injetáveis, não consigo ver essas coisas. A moça veio pediu para respirar fundo, e foi, senti a picada da agulha e ela entrando fundo. Estava doando meu sangue. Estava feliz. Estava querendo que o tempo passasse logo e a bolsa logo ficasse cheia. Fiquei realizada. Consegui. Mas ao abrir e fechar a mão também sentia umas fisgadas. Isso não me deixava assim tão segura. E era um abre e fecha. De repente um calorão, comecei a passar mal. A moça veio correndo, disse que estava pálida. Tirou a agulha, já estava cheia a bolsa, e reclinou minha cadeira. Fiquei um tempo de pernas pro ar. Essa foi a pior parte: o mal estar. Me senti fraca (duas vezes), mas corajosa. Elas anotaram a ocorrência. Esperei quase 10 minutos para sair. Quando já estava melhor, fui para área do lanchinho. Ah isso foi gostoso! Comi demoradamente, respirei fundo umas diversas vezes. E depois guardei a maçã na bolsa, e vim embora. Confesso que apesar de sentir medo de desmaiar no meio do caminho, não abateu o sentimento de felicidade, mesmo que pálido e meio tímido. Tive a certeza de que doar sangue foi a melhor coisa que fiz nos últimos tempos, foi o momento em que mais me senti humana.