Pode acontecer a qualquer hora do dia, de qualquer dia. (Pode até ser agora, ou pode ter sido ontem, outro dia, ou todos os dias!) Numa sexta-feira às 17h20m de uma tarde nublada. (é mais fácil disso acontecer em dias assim em que sol se ausenta e vc nem percebe que a vida lá fora é bonita...se for dia com chuva esquece, a depressão é total!) Você decide que não quer mais fazer o que faz, que precisa trocar de profissão ou trocar de país mas lembra que pra isso precisa de uma grana que não tem, o sonho de repente fica distante mas a angústia segue brutal (aqui surge a febre mental), e então a solução: o telefone. Você liga pra pessoa que mais conhece você, que melhor decifra suas neuroses, e não é sua mãe nem seu psiquiatra: é ele (me pergunto quem é ele? tenho medo da resposta, ou da ausência dela e principalmente do ser). Aquela pessoa a quem você chama intimamente de amor. (amor? acho que preciso rever meu conceito de amor, ou rever quem eu sou, o que penso, o que quero, o que busco...talvez até como e por que me iludo e pra que tudo isso. o que eu penso sobre isso? procuro não pensar porque isso é transgredir é se magoar, tentar entender então me deixa burra. Burra de mim mesma...)
Do outro lado da linha (quando ele te atende ou quando retorna, ou quando simplesmente SABE ou SENTE que vc PRECISA dele), o seu amor ouve pacientemente toda sua narrativa turbulenta e irracional, dá uma risada que não é de deboche e sim de quem já viu/ouviu essa cena duas mil vezes e diz: daqui a pouco eu tô aí e a gente conversa sobre isso. (céus! me belisca se isso realmente existir)
Daqui a pouco passa rápido e ele chega. Você não está mais pensando exatamente aquilo que estava pensando antes. Aquilo evoluiu para um diagnóstico emocional torturante: você não vai mais trocar de emprego nem de país, simplesmente porque descobriu que é uma pessoa instável, maluca e com fraquezas que se revelam no meio de uma tarde nublada, e que sendo assim é melhor ficar onde está. Mas chora. Não vai perder esta oportunidade. (hoje acho que não sei mais chorar, já chorei por qualquer coisa até lágrimas que não deveriam ser minhas, por erros que não cometi, por sonhos que não desfiz, por vias que não vi.)
Seu amor lhe dá um abraço de urso, faz estalar sua terceira e quarta vértebras e fala que bom que você não vai embora, então que tal um cinema pra comemorar? Ao se olhar no espelho você se depara com uma mulher seis anos mais velha e 750ml de lágrimas mais inchada, mas antes que comece a chorar de novo, ele diz: tá linda. Vamos nessa. (não tenho o que dizer aqui, deixa pra lá)
O filme termina e você quer conversar. Mais calma, conta pra ele como é difícil pra você manter suas escolhas, que às vezes você gostaria de experimentar sensações novas mas é complicado abrir mão do conhecido em favor do desconhecido e, olha, juro, dessa vez não é TPM. Então ele diz que também sente isso às vezes, dá um puta beijo nela e, olhando bem no seu olho, diz: é TPM, sim, mas não tem importância.
Amor não é mais do que isso.
(essa parte eu grifei porque achei especial, talvez... e só)
Desculpe-me intrometer no texto da Martha Medeiros, mas sabe quando vc lê algo e precisa interferir, gritar, tentar se fazer ouvir por alguém porque aquela ideia ali expressa não é bem aquilo (talvez não pra vc e sua realidade)...E como vi isso em um livro que não era meu, onde eu definitivamente não poderia fazer minhas anotações resolvi falar isso aqui.
Talvez a dor fique menor e eu entenda a sutil diferença entre o eu e o nós.
Talvez eu veja que ser honesto não é uma questão de ponto de vista, isso deveria estar intrínseco em todos (tolos) nós (eu).
Talvez o melhor seria parar e conversar, mas quem disse que isso é possível?
Talvez eu devesse me ouvir, ou não, simplesmente abafar a voz do coração.
Talvez realmente a vontade louca de mudar tudo devesse acontecer.
Talvez eu consiga ser eu sem você.
Com certeza você consegue ser sem mim porque é isso que eu vejo em suas atitudes.
Talvez a minha curiosidade ainda me mate, mas sabe aquela história que diz que confiança quando se perde é triste porque não tem mais como deixar afastada a sensação de sempre estar sendo passada pra trás?
Pois é...tanto que se assim fosse não deixaria o talvez ser frequente teria certeza.
Acho que sei de algumas coisas.
Acho difícil ver uma mudança aqui.
Acho ainda que essa não é a palavra real.
Veja bem, talvez fique melhor em vez de acho o eu sei...
Eu sei que pensar sobre tudo tem sido complicado.
Eu sei que o amor muda, aceita, transforma, vence tudo.
Eu sei que a vida pode ser dura quando realmente perdemos a quem amamos e não nos damos conta disso.
Eu sei que sonhos podem ser desfeitos em questões de segundos.
Eu sei que olhar as coisas do outro não é certo.
Mas o que é certo ou errado nessa relação que eu nem sei dizer se existe de fato?
Novamente, é subjetivo.
Talvez devesse ser certo.
No final continua assim: o talvez tomando conta do achismo da minha mente, enquanto o coração sabe que talvez seja só uma questão de tempo pra tudo ficar certo.
(ou não)
(veja bem...depende tudo da maneira com que se vê...se é que vc ainda quer ver alguma coisa)
E só.






