quarta-feira, 8 de julho de 2009

13

Esta era a senha. 13. A mulher olhou meu número, e disse: ai que azar! Comigo, pensei, que talvez me desse alguma sorte. Ali haviam umas vinte pessoas e um sol escaldante. Chegaram as mulheres de branco com suas pranchetinhas, e ficamos aguardando o cadastro ser feito. Perguntaram: quem é a primeira vez? Umas cinco pessoas, contando comigo. Coragem era a palavra de ordem que estava em meus pensamentos, estava em dúvida, pensando... será mesmo que vou ter tanta coragem? Ainda tinha tempo para desistir. Fiquei esperando encostada no corrimão da escada, em pé, não quis sentar. Meu coração batia acelerado. Ao meu lado chegou um homem, grisalho, bem apessoado. Começou a dizer que já não a sua primeira vez, e que não tinha problemas com isso, e fez algumas brincadeiras em relação ao tamanho da coisa. Estava começando me assustar, quando ele me perguntou, se era a minha primeira vez. Assenti com a cabeça. Ele ficou envergonhado. Pediu desculpas. Das duas pessoas que estavam cadastrando, escolhi mentalmente a que eu queria que me atendesse, ela me pareceu mais simpática. Mas como sempre o que acontece é contrário aos meus desejos, fui atendida pela outra senhora. Respondi as informações que ela pediu, e depois fui preencher o questionário. 46 questões: sim ou não. Acredito que respondi mais não do que sim. Verdadeiramente era uma excelente candidata para este ato. Terminei, entreguei a prancheta, peguei meu papel e fui lá para a unidade móvel. Esperei ser chamada. Natália. É sou eu, fui até a enfermeira. Me deu um termometro, mediu minha pressão e quando eu menos esperei ela me furou. Quando pensei na dor que sentiria, já havia acabado. Que alívio! Mas ela apertou meu dedo. Meu sangue pingou em um vidro. Foi analisado. E o meu medo de ser anemica e não poder ir até o final. A moça me olhou, disse que estava tudo certo e me mandou falar com o médico. Lá eu ser encaminhada para outra porta. Respondi as perguntas, passei novamente. Era para aguardar lá fora que depois me chamariam novamente. Fique apreensiva, para me distrair fiquei observando as pessoas que passavam por ali. De repente: Natália. Era eu. Então fui, subi as escadas e me encaminhei para a cadeira. Decidi não olhar para o meu braço, se não desistiria, e como já havia chegado até ali, fui firme. Respirei fundo, fiquei olhando para a avenida, e o elástico foi posto no meu braço. Naquele momento tive certeza porque nunca iria usar drogas injetáveis, não consigo ver essas coisas. A moça veio pediu para respirar fundo, e foi, senti a picada da agulha e ela entrando fundo. Estava doando meu sangue. Estava feliz. Estava querendo que o tempo passasse logo e a bolsa logo ficasse cheia. Fiquei realizada. Consegui. Mas ao abrir e fechar a mão também sentia umas fisgadas. Isso não me deixava assim tão segura. E era um abre e fecha. De repente um calorão, comecei a passar mal. A moça veio correndo, disse que estava pálida. Tirou a agulha, já estava cheia a bolsa, e reclinou minha cadeira. Fiquei um tempo de pernas pro ar. Essa foi a pior parte: o mal estar. Me senti fraca (duas vezes), mas corajosa. Elas anotaram a ocorrência. Esperei quase 10 minutos para sair. Quando já estava melhor, fui para área do lanchinho. Ah isso foi gostoso! Comi demoradamente, respirei fundo umas diversas vezes. E depois guardei a maçã na bolsa, e vim embora. Confesso que apesar de sentir medo de desmaiar no meio do caminho, não abateu o sentimento de felicidade, mesmo que pálido e meio tímido. Tive a certeza de que doar sangue foi a melhor coisa que fiz nos últimos tempos, foi o momento em que mais me senti humana.

1 jogadas no tabuleiro:

Schali disse...

To orgulhosa de ti. Tua amiga aqui não tem coragem nenhuma!

=)

Parabéns s2!